segunda-feira, 29 de agosto de 2011
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
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domingo, 31 de julho de 2011
Não toque o que está lá, e sim o que não está (MD)
Meio músico que sou quando resolvi estudar um pouquinho mais sobre harmonia não pude deixar de me entereçar pelo jazz e com mais maturidade fui ouvindo Miles que realmente com poucas notas mostrava que música não éra pra se decorar e sim para ouvir e somente ouvindo é que se entende a música, talvez seja por isso que o próprio Miles ficou estupefato diante do nosso grande compositor Hermeto Pascoal que além de lutar box com Miles (seu esporte favorito) mostrou de uma forma maestral o suíngue do Brasil.
Lí a biografia de Miles ditada por ele mesmo e quem dirige é Quince Troupe o grande presenteador para os fãs de jazz. Neste livro Miles conta de onde tudo começou, que teve adoração pelos pais no qual a mãe era pianista e o pai dentista e não suportava quando ensinavam nas escolas que o blues veio do sofrimento dos escravos. Miles veio de família rica e criticava o sorriso na tv de Louis Armstrong, pois dizia que ele só fazia aquilo para ter ibope junto aos brancos, dizia que os Judeus viviam lembrando ao mundo seus sofrimentos pela a história e que os negros deveriam fazer o mesmo.
sábado, 30 de julho de 2011
Pedacinhos de livros
1) - Ai! que preguiça!...
(Macunaíma / Mário de Andrade)
2) Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são. (Macunaíma / Mário de Andrade)
3) Por que bonita, se coxa? Por que coxa, se bonita? (Memórias Póstumas de Bras Cubas / Machado de Assis)
4) Que é a morte de que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia. (Morte e Vida Severina / João Cabral Melo Neto)
5) Minha pobreza talvez é que talvez não tenho presente melhor: trago papel de jornal para lhe servir de cobertor; cobrindo-se assim de letras vai um dia ser doutor. (Morte e Vida Severina / João Cabral de Melo Neto)
6) É preciso viver com os homens,
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas...
(Sentimento do Mundo / Drumond de Andrade)
7) Sou um fotógrafo, vejo e fotografo o que vejo com palavras.
(Ostra Feliz Não Faz Pérolas / Rubem Alves)
8) Mas era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, pois esse teu irmão estava morto e tornou a viver, ele estava perdido e foi encontrado.
(Evangelho de São Lucas 15: 11, 32 / A Volta do Filho Pródigo)
9) Quem falou que este mundo é ruim! Só recordar... (Contos Novos / Mario de Andrade)
10) Mas se Deus é as flores e as árvores.
E os montes e sol e luas,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora!
E a minha vida é toda uma oração e uma missa.
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
(Alberto Caeiro / Fernando Pessoa)
Literando
Na minha leitura por exemplo, vejo o livro que são indicado por amigos, pesquisado pela internet, aqueles que queremos ler por se tratar de citação em uma obra boa, e também aqueles que apenas temos vontade.
Pego o livro com uma capa convidativa e me pergunto: Como que o autor vai iniciar este tema? E o final então? Quando que faltando algumas páginas logo penso: Não gostaria de ter a responsabilidade de ter que terminar esta obra, ainda bem que sobre mim nunca esteve este peso, penso.
Resolvi registrar aqui dezenas de livros lidos por mim, alguns que mais me marcaram em termo de início da obra e o capítulo final. É algo bem pessoal, que falou profundamente comigo me deixando perplexo, triste, introspectivo e também feliz é claro.
Foi algo que sempre gostei de fazer depois de ler meus livros passado algum tempo, reler as primeiras páginas e em seguida suas ultimas páginas...forte emoções.
Vou então enumerar dois livros com votos de sensacional para o começo e dois livros com tal voto para o final, não foi tão fácil já que temos inúmeros livros que caberiam aqui nesta reflexão, como por exemplo o livro São Bernardo de Graciliano Ramos que tem uma introdução fantástica e completamente par no final, e também tomo como exemplo a obra de Kafka, O Processo, que nos deixa revoltado e marcado por um final tão absurdo.
O livro de início fantástico: Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa)
-Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvore, no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em minha mocidade. Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser - se viu - ; e com máscara de cachorro. Me disseram; eu não quis avistar. Mesmo que por defeito como nasceu, arrebitado de beiços, essa figura rindo feito pessoa. Cara de gente, cara de cão: determinaram - era o demo. Povo prascóvio. Mataram. Dono dele nem sei quem for. Vieram emprestar minhas armas, cedi. Não tenho abusões. O senhor ri certas risadas... Olhe: quando é tiro de verdade, primeiro a cachorrada pega a latir, instantaneamente - depois, então, se vai ver se deu mortos. O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja...
Segundo livro de início fantástico: Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pos no intróito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
Primeiro livro de final fantástico: Memorial do Convento (José Saramago)
Meteu-se pela rua Nova dos Ferros, virou para a direita na Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, em direção ao Rossio, repetia um intinerário de há vinte e oito anos. Caminhava no meio de fantasmas, de neblinas que eram gente. Entre os mil cheiros fétidos da cidade, a aragem nocturna trouxe-lhe o da carne queimada. Havia multidão em S. Domingos, archotes, fumo negro, fogueiras. Abriu caminho, chegou-se às filas da frente, Quem são, perguntou a uma mulher que levava uma criança ao colo, De três sei eu, aquele além e aquela são pai e filha que vieram por culpas do judaísmo, e o outro, o da ponta, é um que fazia comédias de bonifrates e se chamava Antonio José da Silva, dos mais não ouvi.
São onze os suplicados. A queima já vai adiantada, os rostos mal se distinguem. Naquele extremo arde um homem a quem falta a mão esquerda Talvez por ter a barba enegrecida, prodígio cosmético da fuligem, parece mais novo. E uma nuvem fechada está no centro do seu corpo. Então Blimunda disse, Vem. Desprendeu-se a vontade de Baltasar Sete-Sóis, mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia e a Blimunda.
Segundo livro de final fantástico: Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)
Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto. Não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de Dona Plácida, nem a semidemência de Quincas Borba. somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve mingua nem sobra, e conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque, ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria".
Livros como estes que fazem com que nos lembremos que não somos super-homens não, e que na verdade: "Existe é homem humano. Travessia"...inté!
(texto criado em janeiro de 2010)
Noite
Demasiadamente cansado la estava nosso herói sem qualquer idéia para debater e desafiar então uma antítese. Pelo horário de verão já era noite, porém, apesar do mau tempo, o céu ainda estava claro, as nuvens formavam um tapete 100% de algodão aglutinados entre si, só não com muita força para segurar as pisadas do sol que tinha seus raios inquietos. Havia um livro sobre a mesa de Mário Quintana, mas sem qualquer despertar de interesse deixou o livro, pois não conseguiria se concentrar já que na sua cabeça tinha apenas uma máxima: "Ai que preguiça..."
Fulano tinha muita saúde e observava poucas formigas saúvas que carregavam incessantemente algumas folhas não para alimentação instantânea, mas sim após quando lodo virasse. Depois de algum tempo o sono foi inevitável, e num cochilar de meia hora foi o suficiente para sonhar o que seu coração mais queria caso o corpo estivesse disposto a ouví-lo. Sentado em um cantinho segurando um violão, aí sim seu coração batia as dissonâncias do instrumento. Ao acordar Fulano havia amassado a cara por ficar apoiado sobre a mão direita, acordou e viu que as formigas ainda estavam lá e lembrou da sapiência de Salomão nas escrituras: "vai ter com as formigas ó preguiçoso". Sem exitar foi logo abrindo o livro para espantar a preguiça e continuar sua missão de espera daquela noite.
Quando deu por si estava bem acordado envolvido com o índio amazonense que sempre dizia "aique" (PREGUIÇA- no dialeto indígena), a noite passou sem perceber e quando seu tempo de espera acabou viu que as sauvítas ainda estavam lá, e eram muitas...
(texto feito em janeiro de 2009)
Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos...
Terminei hoje minha releitura do livro "O PEQUENO PRÍNCIPE". Para o espanto de todos não é um livro só para crianças. Os franceses que ao contrario dos brasileiros que tem fama de um povo leitor-nato, tem o orgulho de ter neste livro francês um dos volumes mais vendido no mundo, só perde para exemplares da Bíblia Sagrada e "o peregrino". O autor-escritor do pequeno príncipe Antoine (o nome dele é mais difícil que vocês possam imaginar) foi piloto da 2ª guerra mundial.
O livro conta a história de um principezinho ruivo que morava em um planeta bem pequenininho. O que havia neste planeta? Nada mais que três vulcões, sendo que apenas dois estavam ativos. Tinha uma personagem muito vaidosa e que inquietou vossa alteza, nada mais que uma pequena flor, bem orgulhosa, diga-se de passagem. A empáfia da rosa causou no garoto príncipe uma inquietude tremenda. O garoto viajor resolveu então entrar em uma aventura passeando por vários planetas fazendo-se então chegar a nosso planeta Terra.
É muito legal a forma como ele encontra tais personagens e os aborda. O pequeno que nada tem de tímido nunca desiste de uma pergunta que faz, e acha muito chato o mundo dos adultos que mais se preocupam com os números do que realmente importa. Que é sim o interior. Como diz o próprio autor: "Todas as pessoas grandes foram um dia criança – mas poucas se lembram disso".
Lembro que quando ouvi com atenção sobre o livro eu estava em Minas Gerais, e isto foi há uns 15 anos. Não dei muita importância, mas a pessoa que escrevia partes do livro das quais não lembro (eis um conselho sábio: nunca confie na memória) me dizia que tinha lido o livro várias vezes e que gostaria de reler diversas vezes também a seus filhos quando tivesse. Tomara que tenha realizado seu sonho de criança e que sua chamada para o mundo adulto não venha abortar esta aspiração. Quando li ainda neste ano o livro, tive também minha experiência vendo como que ele é encantador, e claro, por estar estupefato não me contive e lá fui eu ler de novo este livro que terminei, mas não vejo a hora de ler de novo. Minha filha já esta lendo, e não me contive e presenteei alguns amigos especiais com esta obra. Mas chega de conversa, pois eu gostaria de expressar aqui para vocês a parte que eu mais gosto deste livro. Por favor, leiam, relembrem e quero claro encorajar aqueles que ainda não leram ou cometeram um grande pecado em não reler esta obra. Com vocês o pequeno príncipe:
Capítulo XXI
E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia – disse a raposa.
- Bom dia – respondeu educadamente o pequeno príncipe, que, olhando a sua volta, nada viu.
- Eu estou aqui – disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? – perguntou o principezinho. – Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa – disse a raposa.
- Vem brincar comigo – propôs ele. – Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa – disse o principezinho.
Mas, após refletir, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui – disse a raposa. – Que procuras?
- Procuro os homens – disse o pequeno príncipe. – Que quer dizer "cativar"?
- Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?
- Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É algo quase sempre esquecido – disse a raposa. – Significa "criar laços"...
- Criar laços?
- Exatamente – disse a raposa. – Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidades de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidades um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
- Começo a compreender – disse o pequeno príncipe.
- Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
-É possível – disse a raposa. – Vê-se tanta coisa na Terra...
- Oh! Não foi na Terra – disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito – suspirou a raposa.
Mas a raposa retomou seu raciocínio.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens também. E isso me incomoda um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e observou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! – disse ela.
- Eu até gostaria – disse o principezinho -, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa. – Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não te mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? – perguntou o pequeno príncipe.
- É preciso ser paciente – respondeu a raposa. – Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás um pouco mais perto...
No dia seguinte o príncipe voltou.
- Teria sido melhor se voltasse à mesma hora – disse a raposa. – Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz! Quanto mais a hora for chegando, mas eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!
Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração...É preciso que haja um ritual.
- Que é um "ritual"? – perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também – disse a raposa.
- É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, adotam um ritual. Dançam na quinta – feira com as moças da aldeia. A quinta-feira é então o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem em qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu nunca teria férias!
Assim o pequeno príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua – disse o principezinho. – Eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis – disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! Disse ele.
- Vou – disse a raposa.
- Então, não terás ganho nada!
- Terei, sim – disse a raposa – por causa da cor do trigo. Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Assim, compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.
O pequeno príncipe foi rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativaste ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu a tornei minha amiga. Agora ela é única no mundo.
E as rosas ficaram desapontadas.
- Sois belas, mas vazias – continuou ele. – Não se pode morrer por vós. Um passante qualquer sem dúvida pensaria que minha rosa se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que todas vós, pois foi ela quem eu reguei. Foi ela quem pus sob a redoma. Foi ela quem eu abriguei com o para–vento. Foi nela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi ela quem eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. Já que ela é minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus... – disse ele.
- Adeus... – disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos...
Antoine em uma missão no mundo dos adultos morreu aos 44 anos pilotando seu avião de guerra, que caiu ao ser alvejado por disparos de arma de fogo. O responsável pela queda do avião foi um alemão que ao reconhecer o alvo lamentou profundamente à morte do autor do pequeno príncipe. Seu corpo jamais foi encontrado, mas sua obra feita para aqueles que não se esqueceram que um dia foram crianças ainda é um sucesso mundial traduzido em mais de oitenta línguas diferentes.
(escrito em setembro de 2008)
terça-feira, 12 de julho de 2011
Bonhoffer X Nazismo
Talvez eu esteja mesmo obcecado por livros. Bom pelo menos foi isto que me disseram aqui na minha casa. Estou com alguns na minha estante que ainda não li e continuo comprando os que me chamam a atenção, sem contar aqueles do qual eu já li no mínimo quatro vezes. O que seria de mim sem as releituras... Já fui obcecado por gibis na infância, bicicleta, futebol e CDS também, cheguei a contabilizar 500, não faltavam as cópias dos importados que eu tratava de arrumar com amigos músicos. Estilos? Não muito variáveis, iam do jazz à bossa nova. Músicos como Pat Metheny que me faziam rejubilar com seus solos aveludados. Amava também os solos de Milles Davis, se tivesse três ouvidos deixá-los-ia a disposição daquele trompetista que sem duvida é único. Alias o jazz e a bossa-nova é uma combinação perfeita quando craseados. Já fui também obcecado por atacar as cordas do violão e da guitarra, horas e horas para impressionar alguém que me visse tocando, e também é claro, por ser ópio para minha alma.
Mas para não perder a fama, fui a uma livraria esta semana no Center Norte a procura do livro do Bonhoeffer, mas ao me deparar com alguns do Rubem Alves logo me dei o trabalho de ler ali mesmo um dos seus. Sentei-me no chão acarpetado da loja e viajei bem ali, nas estórias do Alves, que segundo ele, as idéias lhes aparecem como pássaros e ele se faz então um fotógrafo, e fotografa o que vê com as palavras. Quando dei por mim já estava na hora de ir embora e dei cabo da missão D. Bonhoeffer, mesmo por que, só seria possível um livro seu por encomenda segundo o atendente. Fui-me embora e lembrei no caminho que meu irmão tinha comentado que estava com um livro do pastor luterano em sua casa, parti então apressado em busca do alemão. Realmente foi o que aconteceu ele tinha a obra e não pensou duas vezes em me emprestar garantindo que eu gostaria muito do volume.
Bonhoeffer foi pastor e teólogo luterano, em 1918 seu irmão Walter sofreu ferimentos devido à guerra, vindo a falecer pouco depois. A morte do irmão trouxe muita consternação para sua mãe que passado três anos entregou a ele a mesma Bíblia que seu irmão Walter havia ganhado em 1914. Bonhoeffer então passou a usá-la pelo resto da sua vida tanto em suas meditações bíblicas e nas reuniões cristãs.
Foi mentor de um movimento que se chamou "Declaração de Bremen", o qual se iniciou em 1934. Com este movimento o ministro Dietrich reuniu diversos pastores a desafiarem o nazismo rejeitando-o.
Seu lema era: "Jesus Cristo, e não homem algum ou o Estado é o nosso único Salvador".
Ele também chegou a tramar a morte de Hitler dizendo: "É melhor fazer um mal do que ser mal".
Quando preso pelo regime nazista escreveu em um domingo de Páscoa a seus pais em abril de 1943 dizendo:
"Continuo bem, estou com saúde, todo dia posso ficar meia hora ao ar livre; esqueço ás vezes por um breve lapso de tempo onde me encontro de verdade. Estou sendo bem tratado, leio muito, além do jornal e de romances, sobretudo a Bíblia".
Dietrich Bonhoeffer quando ainda preso sob a acusação de ajudar judeus a fugirem para a Suíça, foi enforcado em 9 de abril de 1945, pouco tempo antes do suicídio de Hitler. Junto com ele também foram enforcados seu irmão Klaus, e cunhados Hans Von Dohnayi e Rudiger Shleicher.
Mr Bonhoeffer escreveu muitas cartas na prisão, seu martírio é considerado um tesouro aos cristãos e tem um memorial em sua homenagem na cidade de Wroclaw na Polônia.
Velejo
Dei-me por mim já estava acordado, óbvio. Levantei com fé é claro sem me questionar se conseguiria ou não. Já dizia o filósofo dinamarquês Soren kierkegaard: "Quem fala que não toma decisão, já tomou". E assim prossegui para mais um dia. Fui até a janela e me deparei com o sol que acabara de render a lua que se encontrava em atalaia desde ás 06h00 de ontem. E, diga-se de passagem, na noite de ontem reparei que ela estava grávida. Ou engordou um pouquinho? Bom, sei lá também, coisas da minha cabeça. Basta dizer que ela estava cheia mesmo. Assim soa melhor. Mas uma coisa é certa, deve ser muito bom ser lua em noite de luar. Prossigamos...
Já com um capuccino preparado e quente em mãos me sentei no sofá e me perdi em meus pensamentos, alguns eu nem me lembro agora outros tinham a ver com as coisas do dia-a-dia: dinheiro, saúde, sair para lavar o carro, etc.
Mas claro, lembrei de filtrar todos eles e minuciosamente fui perscrutando meu próprio eu, é interessante isto por que o pensamento torna-se ações, as ações tornam-se hábitos, os hábitos em caráter que por sua vez se tornará seu destino. E quantos na história se perderam por dar início ao um simples aforismo infame.
Gosto dos livros por serem bons amigos e me ajudam a exercitar o cérebro para ter também boas memórias e bons pensamentos (não se esqueça o cérebro também é um músculo e precisa ser exercitado). Freud falava que não lia somente livros da moda em sua época e que sim o importante era se o livro estava sendo a ele um bom companheiro. Aderi sua opinião levando em conta o dito popular que diz: "Diga-me com quem tu andas e eu te direi quem tu és". Sendo assim sim. Veja só:
"Não digo que a Universidade me não tivesse ensinado alguma; mas eu decorei-lhe só as fórmulas, o vocabulário, o esqueleto. Tratei-a como tratei o latim - embolsei três versos de Virgílio, dois de Horácio, uma dúzia de locuções morais e política para as despesas da conversação. Tratei-os como tratei a história e a jurisprudência. Colhi de todas as coisas a fraseologia, a casca, a ornamentação (...)".
Eis ai uma frase machadiana. Claro que não devemos levar a vida como o finado Brás Cubas de forma leviana, mas não me prendo mais no passado, o pensamento célere e em velocidade da luz nos acomete de tristezas ou então de coisas fúteis que só nos deixará assim, na bagatela, sem andar sem voltar já que não podemos fazer nada para alterá-los, perdemos tempo e ficamos presos por um simples refletir que muito provável terá toda uma influência em nosso caráter nos próximos amanheceres.
O pensamento, o adágio, o aforismo, não importa o adjetivo, o que importa de verdade é que nossos pensamentos expressados através das palavras se transformem em atitudes libertadoras tanto de nós mesmos quanto do próximo. Tome uma atitude, ainda há tempo!
"Eis os segredos dos fortes: Ser aliado da vida". (Nietzsche)
(Texto feito em 24jul08)